Jovens comunicadores realizam encontro antes da Conferência Nacional de Juventude
Abril 28, 2008 de dialogoj
Por Camila Florêncio e Camila Galdino
50 jovens provenientes de vários estados do Brasil participaram em Brasília, nos dias 26 e 27 de abril, do Encontro de Jovens Comunicadoras e Comunicadores que farão a cobertura da 1ª Conferência Nacional de Políticas para a Juventude. A Atividade foi promovida pela Revista Viração em parceria com a ONG Catavento Educação e Comunicação, Ciranda - Central de Notícias , Fundação Friedrich Ebert e a Fundação Athos Bulcão.
O primeiro dia de trabalho dessa galera foi marcado por uma importante discussão sobre as pautas das políticas públicas de comunicação no Brasil. Um dos focos de discussão foi as lacunas existentes entre a mídia e a democracia. Para Carol Ribeiro do Intervozes, é necessário se construir uma base social em relação à comunicação no Brasil. Isso porque o modelo de apresentação de mídias públicas é caracterizado pelo controle de oligarquias políticas regionais e pela concentração do poder nas mãos de poucos grupos controladores do espectro de freqüências.
De acordo com Carol, o excesso de intervenção estatal na TV pública não garante a democracia e regionalidade. Ao invés disso, o governo centraliza suas verbas de campanhas em grandes veículos de comunicação, as quais poderiam ser utilizadas em veículos de mídia alternativa, como rádios comunitárias. Veículos que garantem vez e voz a essa diversidade de público existente, muitas vezes estigmatizados pela grande mídia, e que necessitam ser fortalecidos.
Diante dessa problemática se destaca a violação dos Direitos Humanos, principalmente no que diz respeito à imagem das mulheres, em especial as jovens. Um grande exemplo é a exploração do corpo da mulher como produto pela publicidade e propaganda, uma forma de violência que se manifesta tão sutilmente que, às vezes, não a identificamos como tal.
A ausência de um controle público efetivo a esse tipo de programação e conteúdo leva os movimentos de comunicação e movimento feminista a um constante questionamento sobre os limites da liberdade de imprensa. Já que o programa deveria ser para todos e “garantir o nosso direito à comunicação, aquele que discutimos de igual para igual.”, diz Carol.
Importante dizer que a mobilização dos movimentos sociais e o diálogo com o poder público tem surtido algum resultado em relação aos meios de comunicação. Exemplos disso são o edital de financiamento a comitês de acompanhamento dos conteúdos exibidos pelos meios de comunicação, criados pela Secretaria nacional de Políticas públicas para as Mulheres e o grupo de comunicação social responsável por executarem denúncias e as levarem ao Ministério Público.
Saiba mais sobre a reunião: Cobertura da Revista Viração