Educação sexual para prevenir, contraceptivo para não engravidar e aborto legal e seguro para não morrer
Maio 8, 2008 de dialogoj
Por Latoya Guimarães*
As resoluções da I Conferência Nacional de Juventude deram visibilidade às diversidades que compõe as identidades juvenis. O conjunto das propostas debatidas e aprovadas nos grupos de trabalhos, no momento interativo e na plenária final refletem as aspirações e bandeiras de luta das juventudes brasileiras.
Para as jovens feministas foi um espaço estratégico para por a mesa a luta pela legalização do aborto e a garantia dos direitos sexuais e direitos reprodutivos das jovens mulheres.
È importante resgatar que a Articulação Brasileira de Jovens Feministas cumpriu um papel fundamental na organização política das jovens mulheres rumo à I Conferência Nacional de Juventudes, realizou o I Encontro Nacional de Jovens Feministas e a conferência livre de Jovens Mulheres que se constituíram num importante espaço de construção de diálogos e agenda das mulheres jovens, garantindo a representação das jovens mulheres nas comissões organizadoras das conferências e fazendo o acompanhamento das etapas preparatórias municipais, regionais e estaduais da Conferência de juventude.
Fomos para a Conferencia de Juventude com nossa bandeira erguida, escancarada, levantamos a bandeira pela “LEGALIZAÇÃO DO ABORTO”. Somos a favor da vida por isso lutamos pela legalização do aborto para que assim as jovens mulheres deixem de sofrer com as humilhações e maus-tratos no sistema público de saúde, e para que as mulheres deixem de morrer por abortos mal realizados.
A criminalização do aborto não diminui sua prática e tão menos tem contribuído para reduzir os altos índices de mortalidade materna. No Brasil, dados oficiais do Ministério da Saúde denunciam que: por ano um milhão de mulheres morrem vitimas de aborto mal sucedidos. Isso está relacionado com a vidas das nossas jovens, são as jovens negra, jovens pobre, jovens mulheres que estão morrendo, então, precisamos fazer algo para evitar essas mortes. Não podemos cruzar os braços e fingir que nada acontece, enquanto, do nosso lado tem uma de nós agonizando, sofrendo nos corredores dos hospitais sem receber atendimento médico humanizado, sendo colocadas num quarto escuro, sujo e solitário de uma clinica clandestina tendo seu útero perfurado por algum objeto pontiagudo sem anestesia, sem apoio psicológico, solitária.
O aborto é uma questão de saúde pública dos mais graves no Brasil e, como tal, exige políticas públicas que assegurem o direito das mulheres à vida, ao Estado laico e democrático de direito. Cabe ao estado garantir que a interrupção da gravidez seja realizada com assistência médica e condições adequada. O aborto é um direito das mulheres que para ser garantido precisa contar com a solidariedade e humanidade de todas e todos, por isso lutamos e temos urgência na votação e aprovação do PL 1135/1991, que prevê a descriminalização das mulheres e profissionais de saúde que praticam o aborto.
* Artigo escrito especialmente para o Diálogo Jovem