Entoando palavras de ordem, dezena de mulheres adentraram a plenária da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos num ato político. “Não, não, não! Não a inquisição”, essas foram às palavras de ordem que mobilizou toda a Conferência para uma atenção a CPI do Aborto, problematizada pelas mulheres presentes. 
O ato foi uma proposição das mulheres em resposta as reincidentes situações de exposição, humilhação e violação de direitos humanos a que vem sendo submetidas às mulheres que praticam aborto no Brasil. Para a coordenadora do fórum nacional de mulheres negras Ana José, o ato foi tudo o que as mulheres precisam num espaço como o da conferência de direitos humanos por se configurar numa estratégia para visibilizar as dores, as angustias e as vozes das mulheres.
A jovem Kauara do CEFMEA considerou muito importante a manifestação que contou com a plena adesão da plenária que respeitosamente se postou de pé para aplaudir e apoiar as manifestantes, o objetivo da manifestação foi de denunciar para a sociedade e as autoridades as violações de direitos humanos que as mulheres vêm sofrendo, tendo como principal referência o caso das mulheres do Mato Grosso do Sul que estão sendo criminalizadas por serem suspeitas de ter realizado aborto, e em protesto pela recente aprovação da CPI do aborto. “Lutamos para que os processos do Mato Grosso do Sul sejam extintos e a CPI do Aborto não seja instalada porque somos contra a punição e a criminalização das mulheres”.
A manifestação pela não criminalização das mulheres que praticam aborto e pela defesa dos direitos humanos das mulheres acontece um dia após o presidente Lula declarar na abertura solene da 11ª conferência de Direitos humanos que a questão do aborto no Brasil deve ser tratada como uma questão de saúde pública e que a sociedade deve fazer esse debate sem preconceitos. A coordenadora da organização Católicas pelo Direto de Decidir disse que a manifestação foi ótima porque todas e todos presentes na conferência consideram que o aborto não deve ser tratado pela justiça e sim debatido como uma questão de saúde pública para que se possa garantir os direitos humanos das mulheres . Nessa luta é fundamental afirmar o estado laico, para que todas as pessoas tenham o direito de ter ou não uma religião e que as visões e dogmas religiosos não interfiram nas políticas do Estado.
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