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Archive for agosto \31\UTC 2008

por Mariana Pessah*


No ano 1995, no Rio de Janeiro, acontecia o 1° SENALE (Seminário Nacional de Lésbicas). Essa foi a primeira data que no Brasil se reuniram mais de 100 lésbicas de vários estados para debater, pensar e falar sobre as nossas questões enquanto lésbicas.

Para homenagear esse dia que nasceu da resistência e da luta pela construção de um novo modelo de sociedade, é que foi escolhido o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. 

Porque um Dia de Visibilidade Lésbica?
Porque numa sociedade que tem por norma a heterossexualidade, se não mencionamos, se não mostramos que existimos, somos ignoradas:
– o que não se vê não existe
– o que não se conhece dá medo, ódio e desperta fantasias negativas.
Porque um Dia de Visibilidade Lésbica?
Porque numa sociedade que tem por norma a heterossexualidade, se não mencionamos, se não mostramos que existimos, somos ignoradas:
– o que não se vê não existe
– o que não se conhece dá medo, ódio e desperta fantasias negativas.

 

Em outras palavras alimenta a discriminação. Para contrastar esse movimento é que criamos um dia de Resistência e Luta.

Como toda cultura “invisível”, ignorada, pouco conhecida, não tem ainda muitas imagens próprias. Entendemos que para nossa identidade lésbica é fundamental ter modelos próprios e para nossa luta lésbica é fundamental referendar nossa trajetória. Por isto também queremos homenagear aqui algumas mulheres que ajudaram a construir nossa história: Gloria Anzaldúa, Chavella Vargas, Adriane Rich, Cherie Moraga, Clarice Lispector, Rosely Roth, Audre Lorde, K. D. Lang, Alicia D’Amico, Monique Witting, Safina Newbery, Claudia Hinojosa, Martina Navratilova, Felipa de Sousa, Helen de Genares, Cássia Eller, entre outras e outras e outras…Quado as lésbicas são chamadas de “gays” ou de “homossexuais femininos”, está se falando unicamente de uma orientação sexual diferente da norma, mas quando falamos de lésbicas, se acrescenta uma outra conotação. Na sociedade patriarcal, onde o importante sempre é o masculino (pater), um casal de mulheres é, também, um ato de resistência, de rebeldia, de dizer: não queremos ser iguais, não queremos ser como a norma, a sua sociedade não nos interessa. Olhem pra nós, nós sim podemos! Existimos e aqui estamos subvertendo os conceitos e valores de poder e de força que esta sociedade dá as mulheres.

 

 

É por isto que entendemos importante reivindicar a palavra lésbica e o dia da Visibilidade, porque este dia, o 29 de Agosto, é de LUTA, um dia de afirmar nossa rebeldia numa sociedade que não nos contempla, de demonstrar as forças que temos para a construção de um mundo melhor. E é também um dia de FESTA, porque como dizia a feminista Ema Goldman, ‘se não posso dançar, não me interessa tua revolução’.

 

 

* Mariana Pessah é fotógrafa, militante lésbica feminista integrante do Grupo Mulheres Rebeldes, atualmente reside em Porto Alegre, Brasil.

 

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Por Maria Camila Florêncio*

O movimento feminista tem uma longa tragetória. A cada época, ou ondas como algumas escritoras preferem chamar – remetendo ao movimento de recuos e avanços que as ondas fazem -, uma ou mais bandeira de luta eram defendidas. As ondas também não se desprenderam dos seus momentos políticos, mares muito altas e fortes também trouxeram respostas fortes feministas. Por exemplo nas décadas de 60, 70 e 80, feminismo atuou bravamente contra a ditadura militar e também pela defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres… Hoje ele tem ele está em diversos espaços até mesmo institucionais. Bom, mas não é para falar propriamente das ondas e para exemplificar as lutas que escrevo este texto, e sim para dialogar sobre a popularização do feminismo, no sentido de mais mulheres se identificarem como feministas e defenderem uma cultura feminista.
Tornar o feminismo popular faz-se necessário. Para citar apenas um pequeno caso. Este ano li uma matéria sobre o dia das mães que falava de uma mulher que além de cuidar do lar tinha a vida profissional para cuidar e falava desse desafio que “a mulher moderna” enfrenta para conciliar várias tarefas além de cuidar de si mesma. O que me chamou a atenção é que ela começava a matéria da seguinte forma “depois das mulheres terem ultrapassado o feminismo, hoje tem seu espaço…”, ultrapassado feminismo? Ué, não existe mais? E em todo texto quando a jornalista falava que as mulheres tinham acumulado todas essas funções, em nenhum momento ela falou da divisão dessas tarefas, as domésticas e da criação dos/as filhos/as, por exemplo. Ou mesmo de toda a importância do movimento feminista na luta e conquista de muitos direitos.
Isso me fez refletir sobre algo que vem sendo discutido bastante, ao menos no movimento de mulheres de Pernanbuco, quanto às mulheres se reconhecerem como feministas. Vários grupos, novos e velhos, entre eles os de mulheres de bairro, rural, negras, em fim. Mas nem todos eles carregam consigo a identidade feminista, e são vários os motivos. Contudo, penso que o principal deles é a desinformação reforçada por esteriótipos postos por diversas instituições, inclusive a mídia que os acentua pejorativamente ou simplesmente afirma o feminismo como uma coisa ruim e ultrapassada.
Quem nunca ouviu alguém dizer que não apoia o feminismo por achar que é o machismo ao contrário? Ou seja, as mulheres querem sobreposição e privilégios aos homens, querem mais direitos do que eles. Este argumento foi muito utilizado recentemente por pessoas contrárias a Lei Maria da Penha. Outra coisa muito comum é colocar personagens nas novelas e programas de mulheres com idéias feministas como “mal amadas” e “desiquilibradas”, isso sem contar nos seus finais quando elas encontram a felicidade nos braços de um homem que põe um certo cabresto nela.
Mas então, que estratégias poderíamos utilizar para essa aproximação das mulheres com a nossa luta? Algumas autoras preferem trabalhar com uma ideologia mais simplificada do que é ser feminista, como defendendo que a partir do momento em que você luta pela garantia e ampliação dos direitos civis e políticos das mulheres, você pode não saber, mas é feminista. Eu acho essa idéia extraórdinária por que assim, as demais mulheres que estão envolvidas com algum movimento social, podem se apropriando e se ver como feminista. Porém, podemos cair num vazio muito grande que é ter mulheres que se vêem e se intitulam feministas e não sabem de fato o que é feminismo, ou que não se identifique com alguma bandeira como a legalização do aborto. O que fazer nessas situações? Como nós enquanto mulheres jovens podemos proceder neste dilema?
Penso que primeiro, devemos refletir e discutir mais sobre a questão. Segundo, talvez esse seja um discurso inicial no sentido de cativar as mulheres para que as mesmas se sintam motivadas a entender o que é feminismo em sua essência e procurar espaços feministas. Daí a importância em se ter mais espaços de discussão sobre o assunto. E a partir do momento que recebemos pessoas neste espaço, o nosso papel é mostrar que ser feminista não é ter aversão aos homens ou querer ser mais que eles, mas que é lutar pelos nossos direitos que por séculos foram negados e agora queremos igualdade respeitando nossas especificidades.

 
* Maria Camila Florêncio é “jovem feminista pernambucana”. Integra os seguintes espaços:  Articulação Brasileira de jovens feministas, Coletivo de jovens Feministas em Pernambuco e o
Centro de Jovens – BEMFAM-PE. Também é Midiadora jovem da Revista Viraçãoe participa do Movimento de Adolescentes do Brasil (MAB

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A Rede Latino-americana e caribenha de jovens pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos lançou edital de novos grupos. Fiquem atentos e acessem. Abaixo mais informações.

Aproxime-se da REDLAC

Redlac começou un novo desafio: incluir novos grupos do Cone Sul. Se teu grupo já escutou falar da REDLAC, tem uma identidade politica conosco e teu grupo tem interesse em ser ponto focal da red em seu pais, leia com atenção os documentos linkados no final do texto  e  envie o formulário preenchido até dia 30 de setembro para redlac.dsdr@gmail.com

Que é REDLAC

REDE LATINO-AMERICANA E CARIBENHA DE JOVENS PELOS DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS. Somos uma articulação com 8 anos de existencia. Queremos uma América Latina feminista unida, diversa, que respeite as diversidades y na qual as pessoas jovens sejam sujeitos ativos da transformação de nossas nações e de nossa região.

Nossos temas principais são:Direitos Humanos;Juventude;Feminismos;Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos;

Trabalhamos com a perspectiva de diversidade sexual e etnico racional. Leia o formulário anexo e lá tem todo o histórico da REDLAC.

Por que fazer parte de REDLAC

Na REDLAC acreditamos que uma rede se constroi com o dialogo e intercambio de ideias e muita ação. A partir de ações juvenis latino-americanas pode-se ter uma visão mais ampla sobre nosso contexto regional.

Falar de uma rede juvenil feminista e falar também de sonhos e utopias y possibilidades de construção. É trabalhar no cotidiano com os conflitos e a diversidade da própria juventude.

Compartilhe com nosotras suas experiência e construa uma RED ampla, democrática, plural e diversa. Envie formulário preenchido para: redlac.dsdr@gmail.com

Podem se inscrever grupos da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

No dia 10 de outubro os grupos inscritos serão informados pelo processo de seleção.

Acesse:

Formulario de Postulación

Breve Histórico e Cartas de Princípios

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Pelo direito à interrupção da gestação em caso de anencefalia **

A anencefalia é uma má-formação incompatível com a vida. No Brasil, as mulheres grávidas de fetos com anencefalia são obrigadas a manter a gestação para enterrar o feto, instantes após o parto. Quase todos os países democráticos do mundo autorizam a interrupção da gestação de um feto com anencefalia.O Supremo Tribunal Federal decidirá se as mulheres poderão interromper a gestação em caso de anencefalia. Nos dias 26, 27 e 28 de agosto ocorrerão as audiências públicas de instrução da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54. O julgamento ocorrerá ainda em 2008.
O pedido da ADPF 54 é pelo direito de evitar o sofrimento. Nenhuma mulher deve ser obrigada a interromper a gestação. Nenhuma mulher deve ser obrigada a manter a gestação de um feto que morrerá.

 
Apóie esta causa. Assine clicando neste link

http://www.PetitionOnline.com/ADPF54/

 

 

 

Assista ao vídeo da campanha no You Tube.

Assista ao documentário “Uma História Severina”, de Debora Diniz e Eliane Brum, no Google Video.

Assista ao documentário “Quem são elas?”, de Debora Diniz, no Google Video.

Saiba tudo sobre anencefalia. Faça o download do dossiê Anencefalia: o pensamento brasileiro em sua pluralidade no site da Anis.

             

** Campanha puxada no Brasil pela Anis Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, a primeira organização não-governamental, sem fins lucrativos, voltada para a pesquisa, assessoramento e capacitação em bioética na América Latina.

 

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por Sidney Dias Mariano*

 

 

 

O Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) lançou na terça-feira (22/7), o Pacto pela Juventude, selando o seu apoio às resoluções apresentadas pela I Conferência Nacional de Juventude, que aconteceu em Brasília, no período de 27 a 30 de abril. A iniciativa tem por objetivo envolver todos os atores governamentais e da sociedade civil para manter acesa a discussão sobre as políticas públicas de juventude, com foco nas prioridades apontadas no encontro. A reunião contou com a participação do secretário nacional de Juventude, Beto Cury. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Juventude, Danilo Moreira, o Pacto prevê uma série de atividades que serão desenvolvidas em âmbito nacional, estadual e municipal. A primeira delas ocorrerá no dia 12 de agosto, data em que se comemora o Dia Nacional da Juventude, por meio de uma cerimônia no Palácio do Planalto, que vai reunir autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, representantes da sociedade civil e de movimentos juvenis, entre outros.
Para entender melhor o Pacto pela Juventude
O que é o Pacto?
Trata-se de um compromisso público, coordenado pelo Conjuve, com o objetivo de dar visibilidade e buscar a efetivação dos parâmetros e diretrizes da Política Nacional de Juventude e das resoluções da I Conferência Nacional de Juventude, realizada no período de 27 a 30 de abril, em Brasília (DF).
Qual o seu objetivo?
Articular agentes governamentais, sociedade civil e movimentos juvenis, visando colocar em prática as propostas aprovadas pela Conferência, que mobilizou mais de 400 mil pessoas em todo o Brasil, promovendo uma ampla discussão sobre as políticas públicas de juventude.
Como o Pacto será estruturado?
Por meio de um conjunto de ações e compromissos que devem ser assumidos pelos governos federal, estaduais e municipais, legisladores e, sobretudo, candidatos aos cargos de prefeito e vereador.
Como será a adesão ao Pacto?
Em eventos públicos onde governantes e candidatos assumirão o compromisso com o fortalecimento das políticas públicas de juventude, tendo como referência as 22 prioridades definidas pela Conferência Nacional de Juventude.
Quando começará oficialmente o Pacto?
No dia 12 de agosto, Dia Nacional da Juventude, em uma cerimônia no Palácio do Planalto, quando haverá também uma reunião extraordinária do Conjuve, nos dias 12 e 13, para discutir o assunto. O presidente Lula e os ministros de Estado serão convidados para o evento, juntamente com os presidentes dos partidos políticos.

Etapas do Pacto
 
– A nível Federal
Principais parceiros: Ministérios e Frente Parlamentar de Juventude.
Evento: Pacto pela Juventude “O Brasil precisa, a juventude quer!”, no dia 12 de agosto de 2008.
Lançamento da revista de balanço da Conferência Nacional de Juventude.
Apresentação de iniciativas dos Ministérios, conselheiros governamentais do Conjuve.
Atividades pela aprovação da PEC da Juventude (PEC 138/2003), na Câmara dos Deputados.
– A nível Estadual
Principais parceiros: gestores de juventude e Conselhos Estaduais de Juventude e/ou Comissões Organizadoras Estaduais.
De 14 de agosto a 30 de setembro de 2008: Pacto pela Juventude com a presença de governadores, gestores, parlamentares, sociedade civil e movimentos juvenis (Conjuve, Comissões Organizadoras Estaduais, delegados das etapas estaduais e nacional).
– A nível Municipal
Principais parceiros: Juventude Partidárias e Conselhos Municipais de Juventude
Eventos públicos para assinatura de Termo de Compromisso com o Pacto pelos candidatos a prefeito e vereador, incluindo a temática nas plataformas de campanha e programas de governo.

Para mais informações acesse www.juventude.gov.br
ou envie seu e-mail para conselho.juventude@planalto.gov.br
 

 

 

* Sidney Dias escreve para o site da Secretaria Especial de Políticas para a Juventude da Presidência da República.

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