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Levantamento entre 1995 e 2007 pesquisou 32 milhões de procedimentos.
Cirurgias cardíacas, partos e intervenções sem internação ficaram de fora.

Fonte: Agência Estado
 
A curetagem após aborto foi a cirurgia mais realizada no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 1995 e 2007, segundo levantamento do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo. Com base em dados do Ministério da Saúde, os pesquisadores analisaram mais de 32 milhões de procedimentos nesse período. Ficaram de fora cirurgias cardíacas, partos e pequenas intervenções que não exigem a internação do paciente.
“Procuramos analisar o perfil epidemiológico das cirurgias que tinham um porte médio ou grande e, portanto, potencial maior de complicações”, diz a médica Pai Ching Yu, autora da pesquisa. Ela explica que tanto partos como cirurgias cardíacas são habitualmente estudados separadamente por terem características muito peculiares.
Entre os 1.568 tipos de procedimentos avaliados, as curetagens ficaram na frente, com 3,1 milhões de registros. Em seguida, vieram as cirurgias para correção de hérnia (1,8 milhão), retirada de vesícula (1,2 milhão), plástica de vagina e períneo (1,1 milhão) e retirada do apêndice (923 mil). “As informações disponíveis no Datasus não permitem diferenciar a curetagem resultante do aborto espontâneo da do provocado”, explica a autora do estudo. Os dados foram publicados na revista “Plos One”.
Segundo estimativa do Ministério da Saúde, a maioria das curetagens realizadas é decorrente de aborto provocado. O médico Thomaz Gollop, coordenador do grupo de estudos sobre o aborto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, concorda. “A maior parte dos abortamentos espontâneos não exige internação. As complicações são quase absolutamente resultantes de abortos provocados”, diz.
Pela legislação brasileira, o aborto só é permitido nos casos de estupro ou quando a gravidez representa risco de vida para a mãe. Também é possível obter autorização judicial quando o feto possui anomalia incompatível com a vida, como anencefalia. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

“Que Estado para que Igualdade?”

Excelentissima Senhora Nilceia Freire,
Ministra da Secretaria de Politicas para as Mulheres  e  
Presidenta da Mesa Diretora da Décima Primeira Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe.
Senhora Alícia Barcena Secretaria Executiva da CEPAL
Senhora Sonia Montaño Diretora da Divisão de Gênero da CEPAL
Representantes dos Estados membros da Conferência
Representantes das agências do sistema das Nações Unidas
Representantes da sociedade Civil.

Estamos aqui, convocadas pelo desafio de responder à questão: Que Estado para que Igualdade?, mulheres de movimentos e organizações de diferentes países, culturas, raças, etnias, classes sociais, idades, sexualidades, para expressar aos governos os problemas, as visões críticas, as dores, esperanças e exigências que se encarnam nas lutas pela construção de um mundo onde todas e todos possamos viver
com igualdade, dignidade e prazer.

A ação dos movimentos de mulheres e feministas têm sido crucial para colocar no debate público a opressão e discriminação que resultam de sociedades antidemocráticas, sexistas, racistas, classistas,
lesbofóbicas, homofóbicas.

Se a igualdade começa a ser um horizonte possível na América Latina e o Caribe, é porque conta com a presença de sujeitos coletivos com capacidade de resistência e autonomia para definir suas prioridades e
projetos emancipatórios. As vozes de todas as mulheres, indígenas, negras, brancas, rurais, urbanas, trabalhadoras domésticas, deficientes, jovens, idosas, migrantes, lésbicas, transexuais têm sido imprescindivel para repensar e demandar a igualdade, a justiça social e a democracia.
Apesar dos avanços obtidos 15 anos depois de Beijing, a superação das desigualdades entre homens e mulheres ainda não constitui uma dimensão inerente da justiça social. Os Estados e Governos da Região mantêm uma contradição entre os compromissos internacionais assumidos e a materialização das políticas para a igualdade e a plena garantía de direitos.

A divisão sexual do trabalho permanece como uns dos principais obstáculos para a autonomia e o bem estar das mulheres. O trabalho gratuito que realizamos na esfera reprodutiva constitui a base dos modelos econômicos que exclui às mulheres do desenvolvimento.

As mulheres continuam ocupando a maioria dos postos precários e informais de trabalho, em condições de  desproteção social, de insalubridade e em jornadas cada vez mais esgotadoras. A discriminação salarial e o assédio sexual e moral continuam sendo uma constante na experiência das mulheres no mundo do trabalho.

O trabalho doméstico remunerado, no qual predominam as mulheres negras e indígenas com escassos níveis de proteção social e sem garantia aos direitos trabalhistas, revela a falta de reconhecimento do valor social deste trabalho e o peso do racismo na sociedade.

É intolerável a violência contra as mulheres e meninas em todas suas expressões, que se agrava com a violência política e o racismo institucional contra as mulheres negras e indígenas.
O crescimento da violência e o controle de amplos territórios pelo narcotráfico e outras redes do crime organizado que se sobrepõem ao poder do Estado, têm um impacto devastador sobre os vínculos sociais,
afetando a vida cotidiana das mulheres e comunidades empobrecidas.
Nos países em conflito armado o corpo das mulheres torna-se um cenário de guerra obrigando-as deixar seus territorios.

Os índices de violência sexual e doméstica e o feminicídio evidenciam que ainda persiste a dominação patriarcal sobre as mulheres. Os avanços legais e institucionais em quase toda a região não têem sido
suficientes para garantir a proteção às mulheres e seus direitos humanos.
A maternidade continua representando para muitas mulheres um risco de vida. O aborto em condições clandestinas e inseguras, sua criminalização e penalização,  é uma realidade que afeta a vida e a
saúde das mulheres, adolescentes e jovens.

A crise ambiental revela a lógica predatória, patriarcal e racista deste modelo de desenvolvimento baseado na mercantilização. A mudança climática, a privatização e contaminação da água, do solo e dos
alimentos, ameaçam a qualidade de vida de toda a população, com conseqüências particulares na vida das mulheres.

O modelo de desenvolvimento hegemônico promove o agronegócio e a monocultura, viola o direito à terra e o território de povos e comunidades indígenas, afrodescendentes, população rural e camponesa.

Os desastres naturais como o ocorrido no Haití, põem em evidência as profundas desigualdades sociais e de gênero existentes. A lógica atual da reconstrução mantem inalterada a vulnerabilidade estrutural a que
estão expostos os países e as populações vivendo em situação de pobreza.
Considerando os enormes desafíos que esta região – a mais desigual do planeta – deve enfrentar para diminuir as desigualdades sociais, é inadmissível a militarização da segurança cidadã e o aumento do
orçamento militar em detrimento dos investimentos públicos para o bem estar das pessoas.

Reconhecemos os esforços de alguns governos da região em garantir a institucionalidade democrática e no impedir o retorno de processos ditatoriais. Atendemos ao chamado dos movimentos sociais de Honduras em defesa da democracia e do respeito aos direitos humanos.

É alarmante a crescente criminalização das lutas dos movimentos sociais na defesa de seus direitos.

O caráter laico do Estado é fragilizado pela maioria dos governos da região. A intromissão das hierarquias religiosas nas estruturas institucionais do Estado impede as mulheres de exercer a autonomia sobre seus corpos.
Na maior parte de nossos países continuam sendo escandalosos os baixos níveis de participação política das mulheres e seu acesso aos espaços de poder. Esta problemática é ainda mais alarmante no caso das mulheres negras e indígenas. Os governos ainda não implementaram os compromissos para atingir o objetivo de paridade adquiridos no contexto do Consenso de Quito.
Apesar da criação de mecanismos para a implementação de políticas para as mulheres, a maioria continua tendo estruturas marginalizadas e com escassos recursos.Ainda não foi possível transformar o discurso em estratégias, objetivos concretos e recursos suficientes.
 
Hoje, na inauguração da Décima Primeira Conferência Regional sobre a Mulher, as organizações feministas participantes do Forum, reiteramos aos governos que:
1. No contexto de um novo modelo de desenvolvimento os Estados devem fomentar transformações socioculturais e produtivas que assegurem uma relação sustentável com a natureza, a preservação dos bens comuns da humanidade e a pluralidade de culturas. Neste contexto os processos de integração regional devem aprofundar a participação dos movimentos sociais.
 
2. O Estado democrático deve garantir a justiça social, a igualdade étnico-racial e de gênero. Cumprir o plano de ação de Durban para avançar na erradicação do racismo institucional.
3. Deve garantir a proteção dos e das defensoras de direitos humanos permanentemente ameaçados,  assassinados e perseguidos em particular no México, América Central  e Colômbia.
4. Deve assegurar de maneira inadiável todos os meios necessários para prevenir, sancionar e erradicar todas as formas de violência contra as mulheres, incluindo a cometida pelas proprias instituições do Estado.

5. Deve ter um papel central na provisão de serviços que libere às mulheres da responsabilidade exclusiva do trabalho de cuidado e promova a corresponsabilidade. Os Estados devem ratificar e assegurar o cumprimento efetivo da Convenção 156 da OIT.

6. Deve garantir o acesso das mulheres ao trabalho remunerado com qualidade e pleno respeito dos direitos laborais.

7. Deve reconhecer o valor social e econômico do trabalho doméstico e equipará-lo jurídicamente na legislação trabalhista.

8. Deve garantir o direito das mulheres à terra, aos recursos naturais e o reconhecimento dos territórios indígenas e afrodescendentes.
9. Deve garantir a seguridade e previdência social universal e pública a todas as mulheres, no contexto de um novo modelo de redistribuição da riqueza que todas a todos produzimos.
 
10. Deve promover uma educação pública de qualidade para a igualdade, laica, não discriminatória, não sexista, não lesbofóbica, não racista, intercultural  e bilíngüe, com o aumento de recursos para assegurar o
acesso e permanência de meninas e mulheres adultas em todos os níveis de educação.

11. Deve promover políticas democráticas de comunicação que estimulem a produção e difusão de conteúdos não discriminatórios ou estereotipados, que represente as imagens das mulheres em toda sua pluralidade.

12. Deve garantir o direito universal à saúde através de sistemas públicos de qualidade, integralidade e perspectiva intercultural, reconhecendo os saberes da medicina indígena e afrodescendente.
 
13. Deve assegurar o cumprimento do Consenso de Cairo +5 e do Consendo de Quito que reconhece os direitos sexuais e direitos reprodutivos, implementando políticas de saúde e educação que garantam o exercício destes direitos.
 
14. Deve desenvolver uma estratégia integral para a prevenção do VIH e proteção de direitos das portadoras de VIH-SIDA.
 
15. Exigimos a despenalização e legalização do aborto com acesso a serviços públicos de qualidade.
16. Deve implementar medidas que reconheçam os direitos sexuais das mulheres que contribuam para superar a heteronormatividade que hegemonizam as leis e políticas públicas, violando os direitos de lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros.
 
17. Convocamos aos Estados aqui representados a impulsionar e aprovar uma Convenção Interamericana de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.
 
18. Exigimos dos governos o fortalecimento da institucionalidade das políticas para as mulheres, com  orçamentos compatíveis com as necessidades e objetivos propostos.

19. Demandamos a produção de dados confiáveis, periódicos, completos, que deem transparencia aos processos de execução das políticas e permitam a monitoramento dos compromissos assumidos.

20. Exigimos dos governos mecanismos efetivos de promoção da participação, acesso aos espaços de poder e decisão de todas as mulheres e em particular as negras, indígenas e jóvens.

No contexto da Décima Primeira Conferência Regional sobre a Mulher da Cepal, reafirmamos a importância do diálogo Estado-Movimentos sociais, como dimensão fundamental da democracía participativa, assim como nossa posição de sujeitos coletivos protagônicos na construção de uma
sociedade igualitária com justiça social.
 
Brasilia, 13 de julho de 2010.

Da Universidade Feminista

http://www.feminismo.org.br/portal/

assista o vídeo em  http://vimeo.com/13253872

“BRASIL – 11 de julho de 2010 – Começou hoje o Fórum de Organizações Feministas para Articulação do Movimento de Mulheres Latinas Americanas e Caribenhas, como preparação para XI Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe (CEPAL). A reunião segue até amanhã, dia 12 de julho.

Participam do encontro aproximadamente 200 mulheres, de quase 30 países da região. A abertura do evento será realizada pela ministra Nilcéa Freire, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Sonia Montano, diretora de Gênero da CEPAL e Rebecca Tavares, representante Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), no Brasil.

A idéia do Fórum é promover debate sobre o tema da XI Conferência “Que tipo de Estado? Que tipo de igualdade?”. Um dos assuntos a ser abordado é o olhar feminista no estado e os atuais modelos de desenvolvimento na América Latina e Caribe, com foco na promoção da igualdade, crítica do Estado patriarcal, capitalista, racista e da democracia na região. As contribuições dos participantes serão acrescentadas ao documento que está sendo construído em conjunto pelas organizações integrantes do Fórum, a ser apresentado na Conferência.

No último dia do encontro, será feita uma reflexão sobre a política de ação cultural em referência ao Haiti. Como lidar com a situação do país, por meio de uma análise crítica sobre “A História do Haiti”, discutindo a invasão, o modelo de desenvolvimento e os principais riscos representados pela mudança nos países em condições de subordinação. Serão abordados também, os desafios da tarefa de reconstruir o país, e, como fazer com que os haitianos sejam sujeitos ativos do processo. Ao final os participantes prestarão uma homenagem às mulheres vítimas do terremoto.

Fórum – Desde os anos 90, o movimento de mulheres e feminista da América Latina e do Caribe é um sujeito político chave, mobilizador de processos sociais e políticos para a superação das desigualdades vividas pelas mulheres na nossa região. A realização do Fórum de Organizações Feministas é parte desse processo e dá seqüência à incidência política iniciada no Ciclo Social de Conferências das Nações Unidas, especialmente na Conferência Mundial sobre a Mulher. Os Consensos Regionais, adotados desde então pela CEPAL, guardam estreita relação com a luta dos movimentos de mulheres e feminista para que o Estado assuma sua responsabilidade na promoção, proteção e defesa da igualdade, orientando as políticas públicas à garantia de direitos a todas e cada u ma das mulheres.

Conferência Regional – É um órgão subsidiário da CEPAL, chamado de forma permanente e regular, e acontece a cada três anos. O objetivo desse encontro é identificar as necessidades regionais e sub-regionais de mulheres, apresentando recomendações, realizar avaliações periódicas das atividades realizadas em conformidade com os acordos e planos regionais e internacionais sobre o assunto, e proporcionar um fórum de discussão sobre essas questões.”

Participam 200 mulheres de 30 países da região

Do http://www.sepm.gov.br/

Acontece nos dias 11 e 12 de julho o Fórum de Organizações Feministas para Articulação do Movimento de Mulheres Latinas Americanas e Caribenhas, como preparação para XI Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe (CEPAL). Participam do encontro aproximadamente 200 mulheres, de quase 30 países da região. A abertura do evento será realizada pela  ministra Nilcéa Freire, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Sonia Montano, diretora de Gênero da CEPAL e Rebecca Tavares, representante Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), no Brasil.
A idéia do Fórum é promover debate sobre o tema da  XI Conferência “Que tipo de Estado? Que tipo de igualdade?”.  Um dos assuntos a ser abordado  é o  olhar feminista no estado e os atuais modelos de desenvolvimento na América Latina e Caribe, com foco na  promoção da igualdade, crítica do Estado patriarcal, capitalista, racista  e da democracia na região.  As contribuições dos participantes serão acrescentadas ao documento que está sendo construído em conjunto pelas organizações integrantes do Fórum,  a ser apresentado na  Conferência.

No último dia do encontro, será feita uma reflexão sobre a política de ação cultural em referência ao Haiti. Como lidar com a situação do país, por meio de uma análise crítica sobre “A História do Haiti”, discutindo a invasão, o modelo de desenvolvimento e os principais riscos representados pela mudança nos países em condições de subordinação. Serão abordados também,  os  desafios da tarefa de reconstruir o país, e, como fazer com que os haitianos sejam sujeitos ativos do processo. Ao final os participantes prestarão uma homenagem às mulheres vítimas do terremoto.

Fórum
– Desde os anos 90, o movimento de mulheres e feminista da América Latina e do Caribe é um sujeito político chave, mobilizador de processos sociais e políticos para a superação das desigualdades vividas pelas mulheres na nossa região.  A realização do Fórum de Organizações Feministas é parte desse processo e dá  seqüência à incidência política iniciada no Ciclo Social de Conferências das Nações Unidas, especialmente na Conferência Mundial sobre a Mulher. Os Consensos Regionais, adotados desde então pela CEPAL, guardam estreita relação com a luta dos movimentos de mulheres e feminista para que o Estado assuma sua responsabilidade na promoção, proteção e defesa da igualdade, orientando as políticas públicas à garantia de direitos a todas e cada uma das mulheres.

Conferência Regional – É um órgão subsidiário da CEPAL, chamado de forma permanente e regular, e acontece a cada três anos. O objetivo desse encontro é identificar as necessidades regionais e sub-regionais de mulheres, apresentando recomendações, realizar avaliações periódicas das atividades realizadas em conformidade com os acordos e planos regionais e internacionais sobre o assunto, e proporcionar um fórum de discussão sobre essas questões.

Serviço

Abertura: 11/7

Horário: 9h

Local:  Hotel Complexo Brasília Alvorada  (SHTN, Trecho 01 Lote 1B – Bloco C – Brasília/DF).

 Estatuto da Igualdade Racial é uma ameaça à Saúde da População Negra?

Jurema Werneck[1]

 

 O dia 17 de junho de 2010 amanheceu agitado, com vários pedidos de entrevista e de trocas de informações. Telefone tocando, caixa postal cheia de comentários e indagações. Descontentamento de todos os lados. Afinal, o Estatuto aprovado pelo Senado Federal, capitaneado por uma estranha aliança entre o Partido dos Trabalhadores e o Democratas às vésperas de processo eleitoral nacional é bom para quê? Para quem?

Decididamente não é bom para gente que, como eu, como tantas e tantos, lutamos cotidianamente para garantir que o desejo da sociedade brasileira por justiça se mantenha vivo e sem entraves (por que eles não nos ouviram?).

Também não é bom para aquelas e aqueles que precisam agora viver e fazer acontecer a certeza que o racismo está mais fraco, que o Brasil pode ser o que um dia desejou ser: uma democracia sem racismo ( por que eles não nos seguiram?)

Tampouco será bom para aquelas e aqueles que, como nós, entendemos representação como compromisso. Trabalho legislativo como escuta – diálogo – com a sociedade (onde foi que estes princípios se perderam?).

Quanto à luta contra ao racismo patriarcal, esta teve reafirmadas suas razões para existir e seguir em frente na direção de um país melhor, aquele que ainda não existe. Mas que, pela força de nosso compromisso, um dia vai existir – nem que seja para as netas de nossas netas. Para as descendentes das descendentes de Acotirene e Na Agotime, de Xica da Silva e Mariana Crioula, de Laudelina Campos Melo, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Obassy. Por isso elas lutaram. Para isso herdamos suas lutas.

Foi um dia de indagações: o que significam as mudanças no capítulo sobre saúde? Supressão da obrigatoriedade de registro da cor das pessoas nos formulários de atendimento e notificação do Sistema Único de Saúde? Abandono da necessidade de pactuação entre União, Estados e Municípios para a descentralização de políticas e ações em saúde da população negra? Abdicação da definição de indicadores e metas na política pública? Afinal, o que eles queriam negar? O que pensaram aprovar?

É preciso reconhecer que, num primeiro plano, as decisões tomadas de supressão destes itens, parecem ter se baseado em grande ignorância sobre os processos de gestão de saúde. O que precisariam saber? Que em 2006 o Conselho Nacional de Saúde, organismo que por lei tem a tarefa de aprovar a criação de políticas na área de saúde, já havia aprovado por unanimidade esta que um ministro de políticas de promoção da igualdade racial, um ex-ministro de políticas de promoção da igualdade racial, senadores do Democratas em aliança com senadores do Partido dos Trabalhadores e muitos assessores deles  aparentemente desconhecem: a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

Eles também aparentemente ignoravam o fato de que esta mesma política já foi pactuada pelos entes federados na Comissão Intergestores Tripartite/ CIT, também segundo preceitos legais para a gestão de políticas no campo da saúde. Esta pactuação definiu um Plano Operativo com atribuições diferenciadas e complementares para a União, os 27 estados brasileiros e os mais de 5600 municípios do país, contendo 25 ações a serem desenvolvidas em 04 anos, com 29 metas a serem alcançadas no período, em duas fases: a primeira, entre os anos de 2008 e 2009 e a segunda, entre 2010 e 2011, com duas prioridades a enfrentar: a) problema 1: Raça Negra e Racismo como Determinante Social das Condições de Saúde: acesso, discriminação e exclusão social; e b) problema 2: Morbidade e Mortalidade na População Negra. Possivelmente ignoravam que a assinatura deste compromisso pelo Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde/CONASS e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde/ CONASEMS aconteceu em abril de 2007. Tampouco deviam saber de sua publicação no Diário Oficial na União em 14 de maio de 2009 (Portaria 992). Além do atual desenvolvimento de iniciativas, ainda que iniciais, nas diferentes regiões, estados e cidades do Brasil. Isto apesar da insistência criminosa do Congresso Nacional em negar financiamento para a saúde e sendo conivente, ou mais, co-patrocinador da ampliação da vulnerabilidade de brasileiros e brasileiras, da manutenção de altas taxas de sofrimento, adoecimento e mortes.

Mas toda a magnitude de sua ignorância se coloca ao considerarem que nós, que sabemos disto porque somos parte da luta que gerou tais conquistas, iríamos permitir que tal irresponsabilidade vá longe demais!

Preciso dizer que reconheço, além das marcas da grande ignorância orgulhosa, fortes sinais de um racismo também orgulhoso de dizer seu nome em público. Pois o que, senão ele, fez com que parlamentares e partidos à beira da obsolescência acreditem que se pode impunemente ignorar os indicadores de saúde da população negra, que contradizem perspectivas de justiça e de direito. Somente o racismo lhes dá desprezo pelo Outro o suficiente e faz com que aceitem a morte de mulheres negras em taxas seis vezes maiores do que as brancas, por causas evitáveis por um pré-natal destituído de racismo e preconceito, elevando as taxas de morte materna no Brasil a patamares escandalosos. Ou que considerem irrelevante a freqüência de homicídios contra a população negra ter aumentado de 24.763 vítimas de assassinatos para 29.583 entre os anos de 2000 e 2006, segundo dados do Ministério da Saúde, enquanto que a freqüência de mortes de pessoas brancas pela mesma causa caiu de 18.712 para 15.578 no mesmo período. O que traduz riscos insuportáveis de homens negros, especialmente os jovens, morrerem por homicídio e patamares 2,2 vezes mais altas do que para homens brancos. E riscos para mulheres negras 1,7 vezes maiores do que para as mulheres brancas. E estamos falando em resultados da política de desarmamento e das iniciativas de segurança dita pública! Isto acompanhado de maiores taxas de mortalidade infantil para crianças negras, cuja diferença em relação às brancas também aumenta; ou a enorme tragédia do adoecimento mais cedo, de maior vivência de agravamento e complicações por doenças evitáveis ou facilmente tratáveis. E os efeitos devastadores da hipertensão entre nós, com maiores taxas de morte e acidente vascular cerebral e suas seqüelas; ou da falta de diagnóstico e tratamento do diabetes tipo 2, que resultam em maior mortalidade, mutilações, cegueira e suas tragédias pessoais, familiares, comunitárias.

Como parlamentares, partidos e assessores puderam acreditar que acharíamos sua displicência, seu descaso, seu desprezo, sua falta de solidariedade e compromisso outra coisa senão racismo?

Por isso respondo a quem me pergunta que sim, o Estatuto aprovado faz mal para a saúde da população negra, ao Sistema Único de Saúde e à sociedade brasileira. Não por seus efeitos diretos, pois esta mesma população negra, o SUS (que é feito por pessoas, trabalhadoras e trabalhadores, gestoras e gestores, que buscam fazer bem o seu trabalho) e a sociedade dispõem de mecanismos que não hesitarão em usar para garantir que os avanços já conquistados até aqui sejam mantidos. Mas principalmente por que um Congresso Nacional e seus partidos políticos desvinculados tão acintosamente dos sonhos e projetos de justiça social e equidade torna nosso mundo pequeno, menor. Subtrai, entre todas e todos nós, uma fatia da ética e da solidariedade. Magoa nosso desejo de futuro melhor para todas e todos.

Mas, como costumamos dizer e já faz muito tempo: a luta continua!


[1] Conselheira Nacional de Saúde, Coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde da População Negra do CNS. Representante da Articulação de Organizações de Mulheres negras Brasileiras/ AMNB, coordenadora de Criola.

Salvador sedia Pré-Conferência de Juventude das Américas

fonte:http://www.unesco.org/new/en/unesco/

Entre os dias 24 e 26/05, a cidade de Salvador (BA) sediará a Pré-Conferência de Juventude das Américas, que vai reunir representantes governamentais e da sociedade civil do Brasil e de outros 27 países.

O evento, realizado por meio de um acordo de cooperação entre a UNESCO e a Secretaria Nacional de Juventude, antecede a Conferência Mundial de Juventude agendada para agosto no México. A Pré-Conferência debaterá os avanços das políticas juvenis no Continente e deve construir uma pauta conjunta que será levada ao encontro mundial.

A pré-conferência será realizada no Hotel Pestana e o ato de abertura, às 10h de segunda-feira (24/05), contará com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci; do secretário nacional de Juventude, Beto Cury; do governador da Bahia, Jaques Vagner; da ministra de Juventude do México, Priscila Vera; da coordenadora do Grupo de Trabalho da para a Conferência da Juventude e  diretora regional do Fundo de População das Nações Unidas para a América Latina (UNFPA), Marcela Suazo; do coordenador residente das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Jorge Chediek; e do secretário-geral da Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ), Eugênio Ravinet, entre outras autoridades.

A Conferência Mundial do México faz parte das comemorações da Organização das Nações Unidas (ONU) que elegeu 2010 como o Ano Internacional da Juventude. O objetivo da entidade é estimular jovens de todo o mundo a se engajarem na conquista dos Objetivos do Milênio (ODMs), que buscam reduzir uma série de males sociais até 2015, entre eles o combate à fome, à mortalidade materna e infantil, à extrema pobreza e à falta de acesso à educação.

A pré-conferência de Salvador está sendo organizada pelo Brasil a pedido do governo mexicano, em reconhecimento ao esforço que o país vem realizando nos últimos anos para consolidar uma política de juventude que seja capaz de assegurar plenamente os direitos dos jovens, para que estes exerçam, na prática, o papel de protagonistas nos projetos prioritários do país.

O evento está sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com o governo da Bahia e com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de várias agências como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), entre outras; conta também com o apoio de outros organismos internacionais, como a Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ).

Até o momento 200 participantes de 27 países, entre eles, representantes de governo, parlamento, ONGs e Agências do sistema ONU confirmaram presença. Entre os países representados estão: Argentina, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago e Uruguai.

A UNESCO participará ativamente da Conferência, em especial no painel “Análise Temática da Juventude Americana”, no dia 24 de maio. Michèle Berthelot, do Escritório Regional da UNESCO para Educação na América Latina e Caribe (UNESCO/OREALC), e Daniel Coulomb-Herrasti, do setor de Ciências Humanas e Sociais (SHS) da sede da UNESCO, participarão respectivamente das discussões educação e violência juvenil. A coordenadora de Ciências Humanas e Sociais da Representação da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, fará a moderação do painel temático. Também participarão do evento Teresita Escoto, do Escritório da UNESCO na Costa Rica.

Serviço:
Pré-Conferência das Américas
24 a 26 de maio
Hotel Pestana, Salvador (BA)
Mais Informações: www.juventude.gov.br

Assessoria de Comunicação da Secretaria-Geral da Presidência da República:
(61) 3411.1407
Assessoria de Comunicação do UNFPA no Brasil: (61) 3038.9259 e (61) 9181.1000
Assessoria de Comunicação da UNESCO no Brasil: (61) 2106.3536 e (61) 2106.3539